Menopausa e Saúde Mental: quando os sintomas confundem o diagnóstico

Ondas de calor repentinas, noites mal dormidas e uma sensação constante de ansiedade. Muitas mulheres que entram na menopausa reconhecem de perto esse cenário e, não raramente, confundem esses sinais com quadros como depressão, ansiedade ou até Burnout.

É importante entender que a menopausa não se restringe apenas às mudanças hormonais ligadas ao corpo feminino. Ela também é uma fase de profunda transição neuroendócrina, em que a queda dos níveis de estrogênio impacta diretamente o funcionamento do cérebro.

A relação entre cérebro e menopausa

O estrogênio é um hormônio fundamental para diversas funções cerebrais. Ele atua na regulação do humor, no sono, na memória e até na proteção contra processos inflamatórios que afetam os neurônios. Com sua redução, é comum que surjam:

  • Insônia e alterações do sono – noites interrompidas ou dificuldade para adormecer.
  • Oscilações de humor e ansiedade – sentimentos que podem se intensificar sem motivo aparente.
  • Alterações cognitivas – lapsos de memória e dificuldade de concentração.

Esses sintomas muitas vezes se sobrepõem aos de transtornos psiquiátricos, como depressão ou ansiedade, o que pode gerar diagnósticos equivocados se não houver uma investigação cuidadosa.

Menopausa não é depressão, mas pode aumentar o risco

É comum que mulheres cheguem ao consultório acreditando estar em um quadro depressivo ou de esgotamento profissional. No entanto, quando avaliamos de forma mais ampla, percebemos que parte desses sintomas está ligada ao processo natural da menopausa.

Isso não significa que não exista risco: a vulnerabilidade emocional aumenta nesse período, e a queda de estrogênio pode, sim, favorecer o surgimento ou agravamento de transtornos mentais já existentes. Por isso, o acompanhamento médico é essencial para diferenciar quando os sintomas fazem parte da transição hormonal e quando apontam para um quadro que requer tratamento psiquiátrico.

Cuidar da mente é cuidar do corpo

Entender a conexão entre cérebro e menopausa é um passo importante para ressignificar essa fase da vida. Com orientação adequada, é possível adotar estratégias que aliviam os sintomas, promovem qualidade de vida e reduzem o impacto emocional desse período.

A menopausa não deve ser encarada como um fim, mas como uma nova etapa que exige atenção, autocuidado e, acima de tudo, informação confiável.

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