Nos últimos meses, temos observado um aumento expressivo no uso de medicações análogas de GLP-1, como a semaglutida, principalmente por mulheres que buscam emagrecimento — muitas vezes, sem preencher os critérios médicos necessários para seu uso.
Esses medicamentos foram desenvolvidos para tratar diabetes tipo 2 e, posteriormente, passaram a ser indicados também para obesidade associada a comorbidades clínicas, com acompanhamento rigoroso.
🚨 O problema surge quando essas medicações começam a ser utilizadas como uma forma de controle do peso, mascarando sintomas de transtornos alimentares.
Na prática clínica, vemos pacientes que usam o medicamento como uma espécie de “atalho” ou mecanismo compensatório, na tentativa de controlar a alimentação, reduzir compulsões ou evitar o ganho de peso — sem necessariamente tratar as causas emocionais e psicológicas que estão na base dessa relação adoecida com a comida e com o próprio corpo.
Isso é especialmente preocupante porque:
✔️ Pode camuflar sintomas de transtornos alimentares, atrasando o diagnóstico e o tratamento adequado.
✔️ Fortalece a cultura da magreza a qualquer custo.
✔️ Coloca o foco apenas no peso, ignorando saúde mental e bem-estar.
✔️ Carrega riscos físicos, especialmente quando usado sem indicação ou acompanhamento especializado.
💡 É fundamental entender:
Saúde não é sinônimo de magreza. O uso indiscriminado de qualquer medicação, especialmente quando motivado pela pressão estética, pode gerar impactos importantes na saúde física e mental.
O caminho para uma relação saudável com o corpo e com a alimentação passa, muitas vezes, por um olhar cuidadoso sobre a saúde mental.
Se você percebe que sua relação com a comida ou com seu corpo tem te causado sofrimento, buscar ajuda psiquiátrica e psicológica é um passo fundamental.
O emagrecimento não pode ser uma anestesia para dores emocionais.